domingo, 14 de setembro de 2025

Manoel de Barros e Sérgio Medeiros: a poesia da simplicidade

Caros leitores,

Ontem apresentei a meus estudantes um documentário sobre a obra de Manoel de Barros e, enquanto o (re)assistia, comecei a perceber as semelhanças entre ele e Sérgio Medeiros. Ambos trabalham com a simplicidade e o espontâneo, permitindo que a poesia revele ao leitor o mais puro de sua essência: a arte. Nem Barros nem Medeiros se prendem a conceitos rígidos ou à necessidade de verossimilhança. O que fazem é extrair da natureza e da experiência humana matéria-prima para transformá-la em poesia — seja em palavras ou em traços.

Manoel de Barros resgata na infância lembranças que se desdobram em versos livres, sem rima ou métrica, sem preocupação com a forma, mas plenos da singeleza das palavras. Sérgio Medeiros, por sua vez, compõe desenhos e poemas que dialogam com a natureza e com o universo indígena, revelando percepções sutis de culturas muitas vezes silenciadas.

Se Barros encontra no Pantanal um território fértil para sua imaginação, Medeiros projeta no papel imagens que ampliam nossa percepção do mundo. Ambos, à sua maneira, nos convidam a olhar o simples com mais delicadeza e a reconhecer a poesia escondida no cotidiano.

Afinal, a grandeza da arte pode residir justamente no que parece pequeno: na memória de uma infância, na delicadeza de um traço ou na palavra que nasce despretensiosa, mas nos atravessa profundamente:


"um rio quando está dando em peixes ele me coisa, ele me rã, ele me árvore" ( BARROS, O livro das Ignorãças. 1993).


Imagem retirada do livro Dicionário de Hieróglifos

Fonte: MEDEIROS, 2020, p.36


Imagem retirada do livro Dicionário de Hieróglifos

Fonte: MEDEIROS, 2020, p.17



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